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CNTE compartilha experiência de resistência sindical com educadores da Colômbia

A convite da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação, entidade brasileira compartilhou a experiência de resistência diante de retrocessos e manifestou apoio aos educadores/as do país vizinho

Publicado: 10 Julho, 2026 - 16h40

Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

Divulgação
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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) foi convidada a participar da Junta Diretiva Nacional da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (FECODE). O evento, realizado na quarta-feira (8), na cidade de Bogotá, reuniu mais de 400 pessoas, dentre delegados/as e convidados/as, para tratar dos desafios das lutas pela educação no país e traçar estratégias de mobilização diante de uma política de Estado antissindical.

A presidenta da CNTE, Fátima Silva, esteve presente para contextualizar a experiência brasileira na resistência sindical no contexto político de conservadorismo e rejeição do modelo de escola pública democrática, vivido em gestões anteriores. A Confederação de Trabalhadores da Educação da República Argentina (CTERA) e a Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), representada pela professora Gabriela Bonilla, também participaram como convidadas para compartilhar análises da luta pela educação.

“No governo Petro, a Colômbia teve grandes avanços, como políticas de acesso e permanência à educação e negociações transparentes com  trabalhadores. Agora a FECODE teme enfrentar um momento difícil com a troca de lideranças. Fomos convidados para falar sobre a nossa organização e a nossa mobilização no período anterior e como conseguimos alcançar novamente políticas públicas para a educação”, disse Fátima. 

O governo colombiano está em período de reorganização após as eleições presidenciais, realizadas em junho. Assume a presidência do país o advogado e empresário Abelardo de la Espriella, representante da ultradireita que derrotou o senador Iván Cepeda, candidato do partido Pacto Histórico, do campo democrático popular, apoiado por Gustavo Petro.

Sem nenhum cargo político anterior, de la Espriella fundou o movimento Defensores da Pátria, que recebeu apoio do partido conservador Movimento de Salvação Nacional. Ele mudou-se para a Itália depois de morar dez anos nos Estados Unidos e retornou à América do Sul apenas para disputar as eleições. Levanta bandeiras de privatização, redução de estruturas públicas e retirada da Colômbia dos tratados das Organizações das Nações Unidas, além de apoiar os governos dos EUA e Israel.

Abelardo de la Espriella já nomeou Viviane Morales como nova ministra da Educação. Sem experiência prática como educadora, Morales tem carreira política extensa alinhada a movimentos cristãos, conhecida pelo conservadorismo moral e defesa de valores religiosos como base da sociedade, inclusive da educação.

Conjuntura internacional

A programação do evento contou com análises da conjuntura internacional e nacional no que tange a educação pública e a organização sindical. Os debates destacaram a atual disputa geopolítica, econômica e cultural entre as grandes potências, que buscam domínio sobre os recursos naturais, e a tendência de privatização dos setores públicos.

No caso da Colômbia, os sindicalistas mostraram preocupação com declarações recentes de Abelardo de la Espriella, que colocam em risco a organização de trabalhadores/as da educação no país.

“Devemos tirar a FECODE e voltar a inserir Deus na sala de aula das crianças”, afirmou de la Espriella durante a campanha eleitoral em outubro de 2025. Dias depois, em outro evento, o então candidato se referiu ao sindicato como “máfia”. 

A CNTE e as organizações filiadas se solidarizam com a atuação resistente da FECODE. “No evento estávamos e ainda estamos em um clima de solidariedade de classe, de apoio internacional. Nós defendemos a liberdade sindical para todos os trabalhadores e trabalhadoras, independente de onde estejam, e queremos um projeto educacional emancipador, que estimule o pensamento crítico”, comentou Fátima.

Ao final da Junta Diretiva, a FECODE produziu dois documentos com as conclusões do encontro. A circular 49/2026 estabeleceu as diretrizes de atuação do sindicato e a declaração política reafirmou o compromisso da entidade com valores democráticos e com a defesa de direitos do magistério colombiano.

Leia as conclusões na íntegra no site da FECODE

 

Com informações da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação