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Os desafios da educação pautam I Conferência Internacional Antifascista

Encontro contou com a presença de lideranças nacionais e internacionais

Publicado: 29 Março, 2026 - 13h07 | Última modificação: 29 Março, 2026 - 13h11

Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

Marília Dias
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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) participou, neste sábado (28), do debate “Os desafios da Educação no mundo contemporâneo”, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS). 

A atividade integrou a programação da 1ª Conferência Internacional Antifascista, que está reunindo organizações, movimentos sociais e entidades de diversos países em torno da defesa da democracia, dos direitos sociais e da educação pública.

A presidenta da CNTE, Fátima Silva, destacou as contradições enfrentadas pela categoria docente no cenário atual. “Mesmo diante da perda de prestígio e autoridade social, os professores seguem sendo uma das instituições de maior confiança da população”. Para a dirigente, é fundamental fortalecer a organização e a comunicação do movimento sindical. “Devemos insistir com perseverança e vontade de lutar pela educação”, afirmou.

A presidenta reforçou ainda que a valorização da educação pública passa pela mobilização coletiva e pela defesa permanente dos direitos da categoria: “Ingressar na educação não deve ser apenas um sonho, mas uma realidade sustentada por condições adequadas de trabalho e valorização salarial”, pontua. 

O jornalista Leandro Demori, responsável pela palestra principal, enfatizou o papel central da comunicação na conjuntura contemporânea, marcada pela disputa de narrativas nas redes sociais. “Tudo é sobre comunicação”, destacou, ao analisar como discursos são construídos e disseminados para influenciar a percepção da realidade. Demori defendeu que o campo progressista precisa enfrentar de forma mais organizada os conteúdos difundidos nas plataformas digitais, criando novas narrativas capazes de dialogar com a sociedade e, especialmente, com a juventude.

Leandro também apontou a necessidade de disputar o imaginário social sobre a profissão docente, defendendo a construção de uma narrativa que valorize o ser professor como uma escolha relevante e transformadora, capaz de atrair novas gerações para a carreira.

As contribuições dos demais participantes reforçaram a centralidade desses desafios. A diretora de Mulheres da UNE, Juliana Bergmann, destacou a importância da regulação das redes sociais e da compreensão sobre os conteúdos que chegam à juventude. Segundo ela, é fundamental que os projetos políticos dialoguem com os sonhos e perspectivas dos jovens, em um cenário marcado pela forte influência das plataformas digitais.

O dirigente sindical argentino e deputado Hugo Yasky apresentou uma análise sobre o cenário internacional. Na avaliação do dirigente, a ascensão de lideranças políticas com forte presença digital evidencia o papel estratégico da comunicação na construção de percepções sociais e na consolidação de projetos de poder, especialmente em um contexto marcado pela intensificação das disputas políticas e ideológicas.

O presidente da ADUFRGS-Sindical, Jairo Bolter, chamou atenção para os impactos da mercantilização da educação, especialmente na permanência de estudantes nas universidades. Ele também ressaltou a importância da valorização da profissão docente, alertando para os efeitos de discursos desmotivadores e defendendo o incentivo à entrada de jovens na carreira, aliado à defesa da democracia e da liberdade.

Sobre o evento

O debate integra a programação da  Conferência Internacional Antifascista, que vem sendo realizada entre os dias 26 e 29 de março, em Porto Alegre, reunindo organizações, entidades sindicais, movimentos sociais e representantes de diferentes países. A iniciativa propõe um espaço amplo de reflexão, intercâmbio e articulação política em torno de temas estratégicos para a sociedade contemporânea, como a defesa da democracia, dos direitos sociais, da educação pública, da ciência, da cultura e da soberania dos povos.

Ao longo da programação, acontecem mesas de debate, plenárias, atividades autogestionadas e encontros temáticos, que promovem o diálogo entre diferentes experiências e realidades, fortalecendo a construção de agendas comuns entre as organizações participantes. A conferência também busca ampliar a cooperação internacional e consolidar estratégias coletivas de enfrentamento aos desafios que impactam a classe trabalhadora, com atenção especial aos efeitos sobre os sistemas públicos de educação e às condições de trabalho dos profissionais da área.

A realização do encontro em Porto Alegre retoma uma tradição de articulação política e social na cidade, historicamente marcada por iniciativas de mobilização e diálogo internacional. Nesse contexto, a conferência reafirma a importância da atuação conjunta entre entidades e movimentos na construção de respostas coletivas, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas comprometidas com a justiça social, a valorização da educação e a garantia de direitos.