Com presença da CNTE, Congresso Extraordinário do Sinteal organiza lutas em Alagoas
Em Maceió, delegados/as se reuniram no dia 3 de julho para aprovar mudanças no estatuto e discutir a conjuntura nacional e internacional pela defesa da educação
Publicado: 06 Julho, 2026 - 11h20
Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE
O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) realizou em 3 de julho a edição extraordinária do Congresso do Sinteal em Maceió, para organizar o estatuto do sindicato e debater os desafios das lutas no contexto atual. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, participou da mesa de abertura do evento.
“O Sinteal está na luta desde a época que nós da CNTE éramos CPB (Confederação dos Professores do Brasil), quando eram só os professores na época da ditadura. Aqui tem um trabalho muito efetivo com os nossos companheiros e companheiras aposentadas/os, com os funcionários de escola também, de saúde e de prevenção. Para vocês saberem, aqui os aposentados não estão pagando os 14%, mas isso foi uma luta exaustiva do sindicato que levou a esse processo de negociação”, disse Fátima.
A reunião convocou novamente os/as delegados/as presentes no 16º Congresso Estadual, ocorrido em novembro de 2025, para aprovar em conjunto duas alterações no estatuto. A primeira modifica o período previsto para a realização das eleições da diretoria do Sinteal, de anos pares para anos ímpares. A outra mudança cria dois novos fundos para o sindicato: um de mobilização e greve e outro patrimonial.
A vice-presidenta do Sinteal, Consuelo Correia, explicou o motivo da mudança do calendário. Consuelo assumiu a gestão com a licença do presidente, Izael Ribeiro, para disputar as eleições.
“Por que nós precisamos estar presentes nas eleições gerais? Porque a gente vê o quão fica difícil estarmos presentes no parlamento, nos espaços, nas casas legislativas, e os sindicatos são uma trincheira de luta muito importante pra sociedade. Então, nós não podemos estar ausentes desse processo e, diante disso, nós precisamos alterar o nosso estatuto dentro de uma legalidade que não ponha em dúvida em cheque para a sociedade que nós queremos apenas ficar mais alguns meses na direção dessa entidade”, comentou Consuelo.
“Ano passado sofremos com a suspensão por dois meses das nossas consignações. Se não tivéssemos um lastro para manter o Sinteal funcionando, pagar a folha dos funcionários e manter outras responsabilidades, teríamos fechado as portas”, pontuou a vice-presidenta. “O fundo patrimonial é importante para o futuro. Quase não temos mais concursos e, com isso, a filiação tem diminuído. Boa parte dos nossos filiados atualmente são aposentados. Então a gente precisa se precaver e ter esse fundo patrimonial, para que nós possamos manter isso aqui”, completou.
Conjuntura educacional
Fátima também participou da mesa de debate sobre a conjuntura internacional e nacional dos temas que afetam a classe trabalhadora e a luta pela educação, ao lado do secretário-geral da Confederação Sindical das Américas, Rafael Freire.
A presidenta comentou os resultados do primeiro encontro da Rede de Inteligência Artificial e Tecnologia da Internacional da Educação (IE), realizado em Madrid na semana anterior ao evento de Alagoas.
“A inteligência humana não pode ser substituída, enquanto educadores e educadoras, por máquinas, plataformas e pela virtualidade à distância. Nós não somos contra a inteligência artificial, nós somos contra os donos das plataformas que vêm fazer grandes negócios com a educação dos estados e contra quem está hoje com a mão nessa nova riqueza e esse conjunto do mundo”, afirmou Fátima
O cenário eleitoral também foi tema do discurso de Fátima: “Estamos vendo como as eleições mundo afora estão se desenrolando. E onde nós estamos conseguindo barrar esse retrocesso, é com aliança estratégica. Nós temos que reforçar os valores que defendemos. Respeitar a individualidade das pessoas, mas defendendo as políticas públicas de estado. Seja na educação, na saúde e na segurança”.
Rafael destacou que “é muito importante percebermos como o mundo está hoje. O que vocês fazem aqui interfere no mundo e o que está acontecendo no mundo interfere no cotidiano de vocês. O debate de conjuntura é fundamental para a construção sindical, o que nós pretendemos fazer. Em um mundo que convive com a negação da política, é fundamental que a gente se reúna para avaliar e discutir o cenário político”.
Com informações do Sinteal