Educadores indígenas ganham espaço permanente de articulação na CNTE
Iniciativa busca fortalecer a representatividade indígena nos sindicatos e construir estratégias em defesa da educação pública nas comunidades.
Publicado: 01 Junho, 2026 - 17h15
Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) deu início , na última quinta-feira (28), às atividades do Coletivo de Educadores Indígenas. O espaço reúne representantes indígenas de sindicatos filiados à CNTE em todo o Brasil para articular a luta em defesa de políticas públicas voltadas para os povos originários e da educação pública para essa população.
“Essa tarefa de construção do coletivo não começou agora. Nós discutimos desde a gestão passada sobre a necessidade de ter esse espaço. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) iniciou um projeto de trabalho nas comunidades indígenas, e logo no começo do ano a Fátima participou de reuniões no acampamento Terra Livre para dialogar com companheiros/as sobre a importância de trazer a pauta da educação para esse projeto também, porque a educação norteia todas as políticas de organização de um povo”, disse a secretária de Políticas Sociais, Ivonete Almeida, que conduziu a primeira reunião.
O encontro teve como objetivo a organização das ações e encaminhamentos iniciais do coletivo. O coletivo tem como primeiro trabalho o mapeamento dos profissionais indígenas já filiados nos sindicatos e fora da luta sindical. Foi planejada uma próxima reunião para apresentar as pautas indígenas específicas a serem levadas para as bases sindicais.
A criação do coletivo reafirma o compromisso da CNTE com a promoção da diversidade, da inclusão, da valorização dos povos originários e do fortalecimento das políticas de equidade no âmbito da educação pública. A presidenta da entidade, Fátima Silva, reforçou que os debates serão guiados por lideranças indígenas e o dever dos dirigentes é mobilizar os/as educadores/as indígenas para dentro dos sindicatos.
“Nós vamos praticar dentro da CNTE aquilo que nós cremos e aquilo que é o nosso princípio: Nada de nós sem nós. Para estar neste coletivo, os sindicatos têm que indicar professores e profissionais da educação que sejam indígenas. Quem fala pelos indígenas são os indígenas, e nosso papel enquanto dirigentes de fora dessas comunidades é articular a política e fazer a defesa do que foi definido por eles”, comentou Fátima.
Pauta indígena reconhecida
Originária do povo Tupinambá no litoral da Bahia, Edy Serigy Tupinambá (Edinalva da Silva Mendes), que atua na rede pública de Sergipe, disse que os sindicatos precisam acolher efetivamente os educadores indígenas, reconhecendo suas demandas específicas. Ela articula a causa da educação dos povos originários junto ao Sindicato dos Professores de Sergipe (SINTESE).
“No momento que os trabalhadores indígenas percebem que o próprio sindicato não está defendendo a sua pauta, ele compreende que não tem que estar naquele espaço, porque aquele espaço não está representando. Então, eu penso que o pontapé para atrair os meus parentes, os trabalhadores indígenas, para dentro do sindicato é ter a preocupação de sensibilizar os demais dirigentes sobre nossa pauta específica”, apontou Edy.
Salomé de Sá Oliveira (SINDIUPES/ES) destacou que é preciso visitar as aldeias para melhor dialogar com as comunidades, ainda que existam alguns desafios logísticos. “A questão do transporte é difícil, ficamos dependentes da própria aldeia, mas eu queria dizer com muita alegria que o nosso sindicato hoje pode dizer que tem alguns professores filiados”, completou.
Movimento sindical e a causa indígena
O assessor da Secretaria de Economia Solidária da CUT, Alex Capuano, explicou que a discussão inicial começou na COP 30 em uma parceria com Mônica Carneiro, indigenista da FUNAI e integrante da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF), com uma ideia de valorizar o artesanato dos povos indígenas, comercializando-o nos sindicatos.
“Mas a gente concluiu que era muito desperdício você fazer um projeto de movimento sindical e de movimento indígena sem discutir a política, porque a gente tem um problema de desencontro entre esses dois grupos que precisa ser revertido. Depois, nós nos reunimos com vocês da CNTE, que se juntaram ao projeto com esse pedido de abordar também a educação”, disse Alex.
O projeto “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho” tem dois eixos. O primeiro trata da produção de cestas com produtos indígenas e a comercialização desses produtos no movimento sindical. O segundo eixo prevê debates, visitas de sindicalistas aos territórios indígenas e exposições fotográficas. A iniciativa busca dar visibilidade às formas de produção indígena e às suas lutas.
Encaminhamentos
A CNTE fará um mapeamento da presença de profissionais em educação indígenas nos estados e municípios e a participação desse público no movimento sindical. Internamente, a entidade vai traçar o perfil dos indígenas filiados para compreender sua localização, comunidade de origem e atuação na rede de ensino.
“Precisamos chegar nos trabalhadores e trabalhadoras indígenas que estão no chão da escola, que vivem a realidade das comunidades e compreendem os problemas das escolas no que tange às questões de currículo, condições de trabalho, formação profissional, de toda a questão de línguas e de cultura”, comentou Ivonete.
Com a ampliação de participantes, os próximos encontros terão como objetivo a escuta das pautas indígenas e o início da criação de estratégias específicas em defesa das causas levantadas.
O Coletivo de Educadores Indígenas da CNTE representa um importante passo para fortalecer a participação, a representatividade e o diálogo com os povos indígenas no âmbito sindical e educacional, contribuindo para a construção de políticas que promovam justiça social, diversidade cultural e defesa da educação pública de qualidade socialmente referenciada.
Com informações da CUT