[RS] Conselho Geral do CPERS projeta mobilização em ano decisivo à educação gaúcha
Publicado: 09 Março, 2026 - 09h47
Escrito por: CPERS | Editado por: CPERS
Na manhã deste sábado (7), o Conselho Geral do CPERS se reuniu na sede do Sindicato, em Porto Alegre, para o seu encontro mensal de debates e deliberações. A reunião discutiu as políticas e ações da entidade para o próximo período, em um ano eleitoral considerado decisivo para os rumos da educação pública no Rio Grande do Sul. Diante de um cenário marcado por anos de ataques e retirada de direitos das(os) educadoras(es), o Sindicato reforçou a necessidade de mobilização e união da categoria para enfrentar projetos de desmonte da escola pública e reafirmar a pauta de valorização profissional.
Na abertura do encontro, a presidente do CPERS, Rosane Zan, destacou a importância do momento político e do diálogo direto com a categoria nas escolas. Ela também ressaltou o papel da atual Caravana do CPERS em Defesa da Escola Pública e da Democracia, que percorre o estado para ouvir educadoras e educadores e debater os rumos da educação pública.
“Iniciamos essa semana uma caravana e estaremos por mais três semanas em todo o estado, diretamente no chão da escola, para debater qual a educação pública que nós queremos para o Rio Grande do Sul em contraponto ao projeto que está em curso. Esse diálogo com a categoria tem sido muito importante, mas também revela uma realidade dura. Nos meus 33 anos de magistério, a escola pública já não é a mesma. Hoje vemos professores e funcionários de escola vivendo uma sobrecarga descomunal”, afirmou.
Rosane também denunciou o avanço de políticas que, segundo ela, aprofundam a privatização e a mercantilização da educação pública. “Quem está por trás dessa sobrecarga de trabalho é a privatização, é a mercantilização da educação. Quando vemos grandes grupos econômicos e fundações empresariais ditando as regras para o chão da escola e impondo metas cada vez mais rígidas, isso acaba resultando em um processo que beira o assédio moral. Esse cenário tem provocado adoecimento na nossa categoria e, por isso, precisamos discutir com clareza quais projetos estão em disputa para a educação pública gaúcha”, disse.
A dirigente destacou ainda que o debate político é fundamental para que a categoria compreenda os impactos das políticas educacionais em curso e se mobilize em defesa de um projeto de valorização profissional e fortalecimento da escola pública. “Somos seres políticos e precisamos dizer com clareza qual é o projeto que hoje ataca direitos, sobrecarrega trabalhadores e desmonta a escola pública. Mas também precisamos apontar outro caminho: o de valorização profissional, de uma escola pública fortalecida e democrática. Neste Conselho vamos tirar propostas para seguir em frente. Esse governo passará e nós ficaremos”, concluiu.
Deliberações e organização da luta
Durante o Conselho Geral também foi realizada a eleição para o cargo em vacância de membro suplente de Representante de Base da CNTE, além da escolha dos dois representantes do CPERS que irão compor o Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (CEEd/RS).
Agora, o Sindicato será representado no CEEd pela diretora-geral do 10º Núcleo (Santa Rosa), Eloisa Maria Womer, e pela vice-diretora do 1º Núcleo (Caxias do Sul), Solange Carvalho.
Outro ponto importante da reunião foi a discussão e aprovação do Regulamento do XII Congresso Estadual do CPERS, que ocorrerá nos dias 22, 23 e 24 de maio de 2026, nos Pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo. Durante os três dias de encontro, são debatidos a conjuntura política, o plano de lutas e o balanço da atuação da entidade desde o último Congresso, realizado em 2023.
Basta de feminicídios
O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, que será celebrado neste domingo, também esteve na pauta do Conselho Geral, diante do cenário alarmante de violência de gênero no Rio Grande do Sul — que já ultrapassa a marca de 20 feminicídios em 2026 — reforçando a urgência de políticas públicas eficazes e o papel fundamental da escola na formação de novas gerações baseadas no respeito, na igualdade e no reconhecimento das mulheres como sujeitas de direitos.
Plano de lutas e mobilização da categoria
Entre as resoluções aprovadas no Conselho Geral deste sábado (7) está a intensificação da pressão sobre os deputados da base aliada do governo Leite (PSD) e Gabriel (MDB) para que o índice de 5,4% da MP do Piso do Magistério seja aplicado de forma linear para toda a categoria, contemplando professoras(es) e funcionárias(os) de escola da ativa e aposentadas(os).
A estratégia inclui a mobilização da categoria no dia da votação do PL 38/2026, além da continuidade das ações para denunciar e evidenciar as perdas inflacionárias acumuladas pelas(os) trabalhadoras(es) em educação.
O Conselho também debateu e encaminhou ações de enfrentamento ao assédio moral nas escolas, com destaque para a campanha de combate à sobrecarga de trabalho. Entre as denúncias levantadas estão o preenchimento excessivo de planilhas, a imposição de metas consideradas inatingíveis e estratégias abusivas voltadas ao aumento de indicadores educacionais, como o IDEB, às custas do adoecimento das(os) profissionais da educação.
Próximas mobilizações
Entre as atividades previstas para o próximo período estão a participação do Sindicato na I Conferência Antifascista, de 26 a 29 de março de 2026, em Porto Alegre; a realização de debates nos locais de trabalho no dia 7 de abril, Dia Nacional de Combate ao Bullying e às Violências nas Escolas; a participação na Marcha da Classe Trabalhadora, em 15 de abril, em Brasília, em defesa e promoção da educação pública; e a intensificação das ações de pressão no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo fim do confisco previdenciário.
As deliberações do Conselho reforçam o chamado do CPERS para que professoras(es) e funcionárias(os) de escola, da ativa e aposentadas(os), ampliem a organização e a mobilização nos locais de trabalho. Em um ano decisivo para o futuro da educação pública gaúcha, o Sindicato reafirma que a defesa da escola pública, da democracia e da valorização das(os) trabalhadoras(es) da educação seguirá sendo o centro da luta da categoria.